A arte como estratégia de investimento

O mercado de arte global, embora possua limitações e um tamanho mais reduzido em comparação a outros tipos de investimento, oferece uma gama de oportunidades únicas com potencial de alta lucratividade, sendo ainda pouco explorado pela maioria dos investidores. Ao longo dos anos, o investimento em arte tornou-se mais do que uma forma de possuir obras de prestígio estético cultural, e se transformou também em um meio de diversificar riscos em portfólios e buscar retornos significativos.

A compra e venda de obras artísticas é uma atividade que foi popularizada especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial – de acordo com o artigo “Art Investment: An Empirical Inquiry”. Em Novembro de 1987, o quadro “Lírios”, de Van Gogh, foi vendido pela sociedade de leilões Sotheby ‘s de Nova York pelo valor de 53,9 milhões de dólares. Apenas 40 anos antes, essa mesma obra havia sido comprada por 84 mil dólares, indicando uma taxa de retorno real de aproximadamente 12% por ano – taxa significativamente maior em comparação a ativos de risco similares no mercado da época. De acordo com uma publicação de 2008 do The Wall Street Journal, “A new generation of collectors, dealers and financiers have come to treat art as a highly sophisticated financial instrument: tradable, globally recognizable in demand and liquid around the world.”

O apelo do mercado de investimentos em arte reside, parcialmente, em sua capacidade de oferecer retornos descorrelacionados em relação aos mercados financeiros tradicionais. Por serem considerados como ativos alternativos, investimentos artísticos e culturais via fundos estruturados e outros veículos são incorporados a diferentes portfólios para aumentar sua diversificação. Em períodos de maior volatilidade econômica, por exemplo, grandes obras de arte muitas vezes mantêm seu valor ou até mesmo se apreciam, atuando como ativos de segurança para investidores. A arte, por seu caráter de ativo tangível com valor intrínseco, pode proteger contra a inflação e outras formas de degradação econômica.

Além disso, o mercado de arte global abrange uma variedade de estilos, períodos e geografias, permitindo que os investidores distribuam seus riscos através de diferentes segmentos. De acordo com o paper “Evaluating Art as an Alternative Investment Asset”, a baixa correlação comprovada de ativos de arte com o mercado de ações e suas taxas de risco e retorno aumentam a atratividade desses investimentos, embora variáveis como o “timing” de compra e venda e o tempo de posse da obra afetem diretamente no capacidade de geração de retornos dos investimentos em arte.

A arte como ativo também oferece benefícios adicionais intangíveis, incluindo o prazer estético e o status cultural que acompanham a posse de obras de arte renomadas. Em uma pesquisa realizada pelo report “The Survey of Global Collecting 2023” sobre colecionadores de alta renda líquida, a alocação de riqueza em coleções de arte variou entre os respondentes, mas 72% dos 2.828 indivíduos indicaram que alocaram mais de 10% de seu patrimônio em arte. A razão dessa alocação também foi mapeada pelo estudo, indicando que embora a maior motivação da compra de obras de arte seja devido ao prazer/foco pessoal, 28% dos respondentes têm como principal motivador o investimento financeiro e seus retornos, como indicado pelo gráfico abaixo:

Fonte: The Survey of Global Collecting 2023. Art Basel & UBS Report, 105.

Entretanto, mesmo aqueles que investem no mercado de artes por motivos prioritariamente não financeiros se preocupam com o custo de comprar obras e com o potencial de valorização, revenda ou precificação da herança de sua coleção. Com o aumento na inflação e das taxas de juros em 2023, a forma como tais desenvolvimentos macroeconómicos do mercado global afetam os níveis de preço na esfera artística e cultural torna-se uma preocupação central desses indivíduos. Em sua publicação “Art Investing in Times of Inflation”, Christophe Spaenjers analisa as correlações históricas entre inflação e os retornos em diferentes classes de ativos reais. Os resultados sugeriram que as obras de arte são uma maneira melhor de preservar o poder de compra do que instrumentos financeiros como títulos, para os quais os fluxos de caixa são fixos em termos nominais.

Ao mesmo tempo, a arte oferece em média menos proteção contra a inflação do que algumas outras categorias de produtos de coleção. Diamantes e selos, em particular, são mais fáceis de adquirir e armazenar, sendo também mais substituíveis do que obras de arte, aproximando-os mais de uma classe de ativos como o ouro do que a arte. No entanto, isso também implica que eles podem apresentar quedas significativas de valor com a eventual diminuição da pressão inflacionária. Além disso, os padrões de preço de todas as categorias colecionáveis ​​exibem altos níveis de volatilidade — assim como o ouro — reduzindo seu apelo como métodos de hedge e cobertura. Não obstante, empréstimos garantidos com arte como colateral são populares, com 46% dos respondentes da pesquisa tendo experiência em utilizar a arte como garantia, e 18% clamando utilizar essa estratégia para suprir necessidades de liquidez, não apenas para financiar novas aquisições.

A variação constante na performance financeira das coleções de arte em relação aos movimentos comuns do mercado também compõe uma caraterística particular dos investimentos em arte. O texto “Art Investing in Times of Inflation” expande seu estudo para essa discussão e destaca várias razões para essas flutuações. Primeiramente, existe o risco de preço específico à transação, influenciado de maneira imprevisível pela liquidez do mercado de arte e pelas avaliações dos compradores potenciais no momento da transação. Isso contribui para a heterogeneidade nas avaliações e nos resultados dos leilões. Além disso, os retornos das obras de arte apresentam uma “assimetria” significativa, com muitas obras apresentando valorizações e retornos moderados, enquanto uma fração muito pequena alcança retornos extremamente altos, semelhante ao mercado de capital de risco. A concentração é outra característica marcante das coleções de arte, onde uma pequena porcentagem das obras pode representar a maior parte do valor total da coleção, ampliando a importância dos fatores de risco específicos ao investimento. Por fim, há diferenças sistemáticas entre os critérios considerados por compradores de arte em termos dos retornos de investimento que realizam – ou seja, das obras que vendem – influenciadas por gostos, conhecimento artístico, acesso a informações, e objetivos de investimento variados. Portanto, índices de preços de arte não capturam com precisão a experiência de investimento da maioria dos compradores, devido à concentração de portfólios e elementos específicos de retorno de obras e artistas, além da natureza lotérica do investimento em arte, que distingue os retornos do mercado da experiência do investidor médio em arte.

Contudo, como apresentado anteriormente, a participação no mercado cultural e o investimento em arte não é apenas uma escolha financeira. Além do valor e apego emocional das obras de arte e da sua estima subjetiva e histórica, o investimento em arte também auxilia no enriquecimento sociocultural das regiões, aumentando a valorização de diferentes culturas e artistas regionais. As organizações artísticas envolvidas no processo de produção e disseminação de arte, por sua vez, contribuem significativamente para a manutenção do patrimônio cultural de um país, auxiliando também na expansão da economia local e na atração de um maior número de investimentos para a região, promovendo o crescimento e desenvolvimento de diversas regiões.

Dessa forma, é evidente que a adição de investimentos em arte em um portfólio pode trazer benefícios como a diversificação de ativos, a proteção contra a inflação e a possibilidade de obter retornos financeiros significativos. Além disso, as recompensas para esse tipo de investimento não são apenas monetárias, tendo o potencial de gerar gratificação emocional e também proporcionar maior enriquecimento sociocultural como um todo. No entanto, é necessário atenção e estudo antes de um investimento de caráter artístico, uma vez que o mercado de arte pode ser volátil e que a avaliação de uma obra possui um grau significativo de subjetividade, o que pode aumentar o risco desses investimentos.

Referências:

Mamarbachi, Raya et al. Evaluating art as an alternative investment asset. Journal of financial transformation 24 (2008): 63-71.

Frey, B., & Pommerehne, W. (1989). Art Investment: An Empirical Inquiry. Southern Economic Journal, 56, 396.

McAndrew, C. (2023). The Survey of Global Collecting 2023. Art Basel & UBS Report

Chambers, D., Dimson, E., and Spaenjers, C. (2020).  Art as an asset: Evidence from Keynes the collector. Review of Asset Pricing Studies 10, 490-520.

Spaenjers, C. (2023). Art investing in times of inflation. Art Basel.

A Importância dos investimentos ESG em números

O cenário financeiro global está passando por uma notável transformação à medida que os investimentos sustentáveis conquistam espaço. Em 2022, os ativos classificados como sustentáveis chegaram a quase 25% de todo o mercado.

A regulação tornou-se um ponto focal crucial à medida que os ativos sustentáveis ganham proeminência. Para evitar práticas enganosas, reguladores estão atentos ao “greenwashing”, e diretrizes têm emergido para incentivar a transparência nas divulgações ESG.

Além disso, a preocupação crescente com as questões ambientais, sociais e de governança não é apenas uma tendência, mas uma mudança de mentalidade palpável entre os investidores. A demanda dos clientes, o benefício para a sociedade e a busca por tendências de mercado emergem como motivações-chave, evidenciando que os investimentos ESG não são apenas uma escolha financeira, mas uma resposta às preocupações globais.

Essa mudança não está limitada à gestão financeira tradicional. Investidores e gestores alternativos estão alinhando suas estratégias com critérios ESG, reconhecendo a relevância desses fatores na escolha de gestores e na tomada de decisões de investimento. A inclusão de temas como Mudança Climática e Diversidade e Inclusão nas políticas de gestão evidenciam não apenas uma tendência, mas uma transformação duradoura que está moldando o futuro dos mercados globais.

Neste texto, buscamos destacar a importância da temática ESG sob diferentes perspectivas: o tamanho do mercado, a regulação e a preocupação dos investidores.

Tamanho do Mercado

O mercado de ativos sustentáveis tem testemunhado um crescimento notável. Dentro do universo dos ativos sustentáveis, uma gama diversificada de investimentos se destaca, refletindo o compromisso crescente com práticas ambientais, sociais e de governança. Os títulos verdes, por exemplo, financiam projetos voltados para a sustentabilidade ambiental, como energia renovável e eficiência energética. Fundos de investimento socialmente responsáveis (SRI) direcionam recursos para empresas com sólido desempenho em critérios ESG, enquanto os green bonds fornecem uma oportunidade de investir em projetos específicos com benefícios ambientais claros. Além disso, os índices de sustentabilidade agrupam empresas que adotam práticas responsáveis. Esse ecossistema de ativos sustentáveis não apenas diversifica as opções de investimento, mas também impulsiona uma transformação positiva no panorama financeiro, alinhando o crescimento econômico com os princípios de sustentabilidade.
Segundo o último relatório da Global Sustainable Investment Alliance1, em 2022, os ativos classificados como sustentáveis ultrapassaram os 30 trilhões de dólares, representando um aumento de 33% desde 2016. Notavelmente, a Europa lidera com 46% do total destes ativos.


Fonte: Global Sustainable Investment Review 2022

 

É compreensível que a Europa e os Estados Unidos detenham a maior parte desses ativos, dada a extensão de seus mercados. Quando consideramos a porcentagem em relação ao mercado global, os ativos sustentáveis representam 24,4% de todos os ativos. Regionalmente, destacam-se Canadá (47%), Austrália e Nova Zelândia (43%), Europa (38%) e Japão (34%). Nos Estados Unidos, a proporção de ativos sustentáveis ainda é modesta, atingindo 13%.

Regulação

Com o mercado de ativos sustentáveis ganhando relevância, os reguladores também têm se preocupado com o tema, buscando principalmente evitar que empresas enganem investidores dizendo que possuem políticas relacionadas aos temas ESG, mas que na verdade não fazem nada na prática, o chamado greenwashing. Para tentar mitigar esses problemas, foram criadas diversas diretrizes que incentivam ou exigem que as empresas divulguem informações sobre riscos e oportunidades ESG relevantes. As principais estão relacionadas a questões climáticas, como a TCFD (Task Force on Climate-Related Financial Disclosures) que utiliza a meta do Acordo de Paris de permanecer bem abaixo de 2°C, com a ambição de permanecer abaixo de 1,5°C, tentando operacionalizá-la para o mundo dos negócios. Os quatro pilares das recomendações do TCFD são:

  • Governança: divulgar como a organização trata os temas relacionados ao clima
  • Estratégia: divulgar o atual e o potencial impacto dos temas relacionados ao clima no negócio
  • Gestão de risco: divulgar como a empresa identifica, avalia e administra os riscos relacionados ao clima
  • Métricas e alvos: divulgar quais as métricas e alvos utilizados

Apesar de serem apenas recomendações, alguns países têm tornado essas divulgações obrigatórias e outros estão prestes a fazê-lo.

Adicionalmente, na Europa, um arcabouço regulatório crescente visa aumentar a divulgação de dados ESG por parte de grandes investidores. Um exemplo é a regulação dos fundos de pensão no Reino Unido, que agora devem divulgar como consideram os fatores ESG em suas políticas de investimentos, sujeitos a multas caso não cumpram a determinação. Além disso, fundos de pensão com mais de 1 bilhão de libras em ativos devem publicar um relatório anual sobre mudança climática.

Preocupação dos investidores

Além de ganhar relevância e atrair a atenção das autoridades, as preocupações com questões ambientais, sociais e de governança estão cada vez mais presentes entre os investidores. De acordo com uma pesquisa do Deutsche Bank2, realizada no final de 2021:

  • 54% integram fatores ESG em suas análises.
  • 15% buscam empresas mais bem ranqueadas em quesitos ESG (best in class)
  • 14% excluem setores sensíveis (negative screening)
  • 7% fazem investimentos de impacto
  • Apenas 10% dos investidores não têm nenhuma estratégia ESG


Fonte: Deutsche Bank Research

 

Outra pesquisa, conduzida pelo BNP Paribas3, revelou que 51% dos investidores utilizam dados e fatores ESG em suas decisões de investimento, e 42% os integram em suas práticas de gestão de risco.

A pesquisa do Deutsche Bank ainda destacou as principais motivações para a incorporação de fatores ESG, sendo a demanda dos clientes a principal razão citada por 63% dos entrevistados. Além disso, 54% mencionaram o benefício para a sociedade, enquanto 51% buscam acompanhar as tendências do mercado.


Fonte: Deutsche Bank Research

 

Já uma pesquisa focada em investimentos alternativos, o grupo europeu LGT Capital Partners4 mostrou que 73% dos investidores acreditam que ESG é relevante para a escolha de gestores alternativos e 54% deles está preparado para excluir gestores baseados em questões ESG. Na mesma pesquisa, 52% dos gestores possuem políticas para endereçar a Mudança Climática em suas decisões de investimento, enquanto 36% planejam ter nos próximos 2 anos.

Além disso, 35% dos gestores levam em conta o tema Diversidade e Inclusão em suas decisões de investimento, e 27% planejam incluí-lo nos próximos 2 anos.

E não é apenas na gestão dos investimentos que os temas ESG são levados em consideração. A mesma pesquisa da LGT Capital Partners concluiu que 48% dos entrevistados já possuem uma política de Diversidade e Inclusão em suas gestoras e 20% pretendem tê-la dentro de 2 anos.

Um mercado significativo e com potencial de crescimento

Com mais de 30 trilhões de dólares em ativos sustentáveis e uma mudança de mentalidade evidente, os investimentos ESG não são apenas uma tendência, mas uma revolução. Dos títulos verdes aos índices de sustentabilidade, a diversidade de opções reflete um compromisso abrangente. Regulamentações como a TCFD sinalizam transparência crescente. À medida que os investidores integram fatores ESG, a busca por lucros se alinha à responsabilidade social.

Essa convergência é especialmente notável ao observarmos a crescente preocupação dos investidores, em particular, da nova geração. Testemunhamos os impactos da falta de atenção ao tema no meio ambiente e na sociedade. Este cenário propicia um ciclo virtuoso, onde a demanda crescente por investimentos ESG impulsiona uma oferta mais ampla de produtos e serviços. Consequentemente, o mercado se torna mais regulado, proporcionando uma segurança adicional para a entrada de novos investidores.

Na Jera, acreditamos no crescimento da preocupação com os temas ambientais, sociais e de governança e buscamos mapear os riscos materiais e as oportunidades nos nossos investimentos.

Fontes:

  1. Global Sustainable Investment Review 2022
  2. Deutsche Bank Research
  3. BNP Paribas ESG Global Survey 2023
  4. LGT Capital Partners ESG Survey 

 

Endowments e Gestão de Patrimônio: Como o modelo das grandes universidades americanas pode ser aplicado por grandes investidores brasileiros

No cenário financeiro contemporâneo, a gestão de investimentos é caracterizada por uma diversidade de estratégias e abordagens. Uma das abordagens mais distintas e eficientes é a dos Endowments. Originários das esferas acadêmicas e filantrópicas, os Endowments têm, ao longo dos anos, estabelecido um padrão de excelência e prudência na gestão de ativos, cumprindo seus objetivos de perpetuar riqueza e chegar a melhores retornos com menor risco se comparados aos portfólios tradicionais. O conceito central dos Endowments tem alta relevância e aplicabilidade para investidores de longo prazo, e já é largamente utilizado pelas grandes gestoras de patrimônio americanas. 

 O Que são os Endowments? 

 Os endowments referem-se, primordialmente, a um capital doado, cujos rendimentos são alocados para fins específicos, muitas vezes em benefício de instituições educacionais ou organizações sem fins lucrativos. Um Endowment é, em essência, uma estrutura de investimento perpétuo criada para financiar instituições a longo prazo. Ele é projetado para crescer ao longo do tempo e fornecer uma fonte estável de renda para a instituição que o mantém. Esses fundos são meticulosamente geridos com o intuito de preservar o capital principal, enquanto geram rendimentos sustentáveis. 

 Características dos Endowments 

 Visão de Longo Prazo: Os endowments são intrinsecamente projetados para durar indefinidamente, protegendo o capital principal contra erosões significativas, ao mesmo tempo que proporcionam rendimentos consistentes. 

 Ampla Diversificação: Uma característica emblemática dos endowments é sua alocação diversificada em múltiplas classes de ativos, das tradicionais às alternativas, mitigando riscos e buscando estabilidade. 

 Reavaliação e Reequilíbrio Constantes: Os endowments são frequentemente reavaliados para garantir alinhamento com objetivos financeiros, ajustando-se às variações do mercado, mas mantendo o foco no planejamento de longo prazo. 

A combinação dessas características diferencia significativamente a abordagem dos Endowments da abordagem dos portfólios tradicionais, e se traduz em muito mais eficiência. 

Gráfico: Retorno do  Endowment da Universidade de Yale comparado ao retorno de um portfólio tradicional (60% bonds e 40% ações) 

Fonte: Universidade de Yale 

Um dos principais impulsionadores dos melhores resultados que os Endowments possuem é o investimento em ativos privados, que tendem a não estar presentes nos portfólios tradicionais. Diversificando de maneira eficiente entre ativos tradicionais e alternativos, e com a perspectiva do planejamento de longo prazo, os Endowments chegam a melhores retornos com menos risco.

 Abordagem dos Endowments para os Grandes Investidores Brasileiros  

 A abordagem adotada na gestão de endowments pode ser replicada por investidores para atingir diversos objetivos:

 Preservação de Capital: Assim como os endowments, investidores de longo prazo estão profundamente preocupados com a preservação do capital. A intenção não é apenas proteger contra perdas, mas também garantir que o poder de compra do capital seja mantido ao longo do tempo, considerando fatores como a inflação. 

 Rendimentos Estáveis: A estabilidade é valorizada tanto por gestores de endowments quanto por investidores de longo prazo. Ambos buscam fluxos de renda consistentes, evitando volatilidades excessivas. 

 Diversificação: A diversificação, como estratégia, é igualmente crucial para ambos. Uma carteira bem diversificada pode ser a chave para equilibrar risco e retorno, garantindo que o patrimônio esteja protegido enquanto ainda apresenta potencial de crescimento. 

 Visão de Futuro: Endowments e investidores de longo prazo compartilham uma perspectiva futura. Enquanto os endowments procuram beneficiar gerações futuras de estudantes ou beneficiários de organizações, os investidores de longo prazo muitas vezes buscam criar um legado financeiro para as gerações futuras de suas famílias. 

 Com modelos análogos aos dos Endowments, os investidores conseguem de fato implementar Planejamento estratégico, estabelecendo objetivos claros e planos para alcançá-los, como as grandes universidades americanas fazem, com políticas de investimento resilientes que possuem adaptabilidade. Apesar de sua visão de longo prazo, os Endowments também demonstram a importância da flexibilidade. Em face de mudanças no ambiente econômico ou nas condições do mercado, a capacidade de adaptar-se é vital. Além disso, a diligência rigorosa na seleção e monitoramento de investimentos é outra característica definidora dos endowments e grandes investidores devem, igualmente, ser meticulosos em suas escolhas de investimento, gestores e parceiros. 

 Assim como os grandes investidores de wealth management americanos, os brasileiros podem adotar este tipo de abordagem mais eficiente na gestão do seu patrimônio. Além de prezar pela diversificação e pelo planejamento de longo prazo, os Endowments também possuem uma perspectiva de investimento global, que se torna cada vez mais importante para o investidor brasileiro.

Ao incorporar as lições aprendidas com endowments, investidores podem não apenas proteger, mas também prosperar, garantindo um legado financeiro. 

 

Integração ESG nos investimentos: uma tendência que deverá crescer cada vez mais

O mundo dos investimentos vem passando por algumas mudanças nos últimos anos. Uma delas se refere às preocupações com as questões ESG (acrônimo em inglês para os temas Ambientais, Sociais e de Governança). Sempre houve muita preocupação em termos de governança ao se analisar um investimento. Porém, preocupações relacionadas a pandemias, aquecimento global e denúncias de trabalho análogo à escravidão trouxeram à tona as questões ambientais e sociais.

 O que é a integração ESG nos investimentos?

A integração ESG nada mais é do que a incorporação de fatores ambientais, sociais e de governança na análise de investimentos e gestão de portfólios.

Dentre as principais questões levadas em conta estão as seguintes:

  • Ambientais: mudança climática, esgotamento dos recursos naturais, poluição, desmatamento
  • Sociais: direitos humanos, escravidão moderna, trabalho infantil, condições de trabalho
  • Governança: suborno e corrupção, remuneração dos executivos, estrutura e diversidade dos conselhos de administração.

O tema ESG possui dois pontos de vista: o dos riscos e o das oportunidades.

Os riscos acabam parecendo mais óbvios, já que vemos muitas vezes os preços dos ativos serem afetados quase que instantaneamente quando ocorre algum tipo de acidente ambiental ou há a revelação de algum escândalo envolvendo condições precárias de trabalhadores, por exemplo.

Já as oportunidades, podem aparecer através da:

  • redução de custos, como a utilização mais sustentável dos recursos
  • maior utilização de um determinado material por conta de uma mudança de algum hábito de consumo por um mais sustentável, como a eletrificação dos veículos
  • ou pelo surgimento de novos mercados, como o de crédito carbono.

Como realizar a integração ESG?

 A integração ESG pode ser feita nas mais diversas classes de ativos, como as ações, crédito privado, private equity, imobiliário e infraestrutura.

Existe um grande desafio em se integrar os aspectos ESG na decisão de investimentos já que não existe uma metodologia padrão, ou seja, não há uma “receita” que se adeque a todas as necessidades.

O método mais simples e utilizado há mais tempo é o do filtro negativo, onde o investidor define uma lista de setor e empresas nas quais ele nunca investirá. Normalmente essas listas incluem setores controversos, como o de armamento e tabaco, e empresas que possuem problemas de governança, com histórico de fraudes e malfeitos de seus controladores.

Uma outra maneira seria o oposto do filtro negativo, ou seja, investir nas empresas com as melhores práticas ESG dentro de seus universos, também chamado de best-in-class.

Uma maneira que tem tido bastante aceitação entre os gestores é integrar aspectos ESG nas premissas utilizadas na avaliação dos investimentos. Uma gestora de fundos de ações pode incluir em seus modelos, por exemplo, o aumento dos custos de uma determinada empresa devido à escassez de água ou energia para manter sua operação, ou o risco de multas caso ocorra algum acidente ambiental. Existe também a possibilidade de empresas menos atentas aos fatores ESG terem o seu custo de financiamento elevado, e assim ter uma maior despesa financeira no futuro e, consequentemente, um lucro menor.

Além disso, muitos investidores se utilizam de suas posições acionárias nas empresas para engajá-las a adotarem práticas mais sustentáveis, gerando valor no longo prazo, tanto para seus acionistas quanto para a sociedade.

 Por que integrar ESG?

 A integração ESG pode ser motivada por diversos fatores.

Do lado dos clientes, há uma crescente demanda por alinhamento de seus investimentos com os seus valores e a exigência por uma maior transparência sobre como seu dinheiro está sendo investido. Além disso, estamos vivendo uma transição para uma geração que tende a ser mais preocupada com os temas ESG.

Do lado dos gestores, existia uma noção de que a inclusão de temas ESG na seleção de investimentos era detratora de retorno e que não fazia parte do seu dever fiduciário. A verdade, porém, é que problemas relacionados às questões ambientais, sociais e de governança têm tido impactos muito relevantes nos preços dos ativos e, consequentemente, nos retornos dos fundos. Dois exemplos que demonstraram isso foram a queda de 24,9% no preço da ação da Vale no dia seguinte ao acidente na barragem de Brumadinho e a queda de 77,3% na ação da Americanas após a descoberta de fraude em seu balanço.

Um outro ponto importante que leva os investidores a se preocupar com os temas ESG é a questão regulatória. Existe uma tendência global de governos passarem a encorajar ou até mesmo exigir a análise dos fatores ESG por parte de empresas e de investidores institucionais. No Brasil, a CVM lançou uma resolução obrigando as empresas de capital aberto listadas na B3 a publicar, a partir de 2026, relatório com informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.

 Integração ESG: um caminho sem volta

 O interesse de investidores pelo tema ESG tem crescido e a Jera entende a importância dos fatores ambientais, sociais e de governança para o retorno de longo prazo dos negócios. Por isso, temos incluído em nossa diligência a análise de fatores ESG para monitorar os riscos e as oportunidades que essa tendência pode trazer aos nossos clientes.